roteiro interno

Call 1 com a Fernanda · roteiro de implementação do sistema

Dr. Bernardo Coutinho · Fernanda 18 de agosto de 2026 roteiro de call · 50 minutos

antes de entrar na call: dois pontos que você precisa saber

Li a proposta que você vendeu e cruzei item por item com o que está no ar hoje. Quase tudo bate. Duas coisas não batiam:

o que a proposta promete situação real
“backup diário” estava faltando. O backup automático do servidor cobria só a Dra. Sthefanie. Corrigi hoje: o banco do Dr. Bernardo agora entra no backup das 3h40, com cópia fora do servidor. Rodei manual pra confirmar que funciona.
“agenda: consultas e retornos sempre à vista, do dia e da semana” ainda não existe. A agenda hoje é uma lista de avaliações e tarefas, sem grade de dia nem de semana. A Fernanda vai abrir essa tela todo dia, então é o gap mais visível da entrega.

Sugestão para a call: não prometa a grade como novidade. Trate como “estou construindo do jeito que você precisa, me diz como você quer ver o dia”. A call 1 vira exatamente o briefing dessa tela, e você entrega na call 2. Fica melhor do que entregar uma agenda que ela não pediu.

o objetivo desta call 1

Duas coisas, nessa ordem de importância:

  1. Você entender a operação real dela. O que ela faz no papel, em que ordem, com que palavras. É isso que define os ajustes.
  2. Ela sair da call tendo usado o sistema com as próprias mãos, em pelo menos um paciente de verdade. Quem não toca não adota.

O que esta call não é: demonstração de recursos. Se você passar 50 minutos mostrando telas, ela sai impressionada e não usa na segunda-feira.

divisão dos 50 minutos

tempo bloco quem fala mais
0 a 3 abertura e enquadramento você
3 a 15 o dia dela, sem tela ela
15 a 25 o sistema com dado real dela você
25 a 40 mão na massa, ela dirigindo ela
40 a 47 o que falta e o que incomoda ela
47 a 50 combinados e próxima call você

bloco 1 (0 a 3 min): abertura

Objetivo: tirar o medo de “vão me controlar” e de “vou ter mais trabalho”. Secretária que sente vigilância no sistema boicota sem falar.

Roteiro sugerido, na sua voz:

Fernanda, essa call não é pra eu te ensinar a mexer num sistema pronto. É o contrário: eu quero entender como você trabalha hoje e ajustar o sistema pra caber na sua rotina. Se alguma coisa lá dentro estiver mais trabalhosa que o papel, eu quero saber, porque aí está errado e eu conserto.

Deixe claro também que ela pode errar à vontade: nada quebra, tem backup diário e você reverte qualquer coisa.

bloco 2 (3 a 15 min): o dia dela, sem abrir o sistema

Este é o bloco mais valioso da call. Não abra a tela ainda. Pergunte e escute. Anote as palavras exatas que ela usa, porque o sistema deve falar a língua dela.

como o paciente chega

  • Por onde chega mais gente: WhatsApp, telefone ou aparece na porta?
  • Quem responde o WhatsApp: você, o Dr. Bernardo, os dois?
  • Quando alguém pergunta preço no WhatsApp, o que você responde?
  • (descobrir: se ela é a porta de entrada, o painel de leads passa a fazer sentido; se não, deixa de lado)

como ela marca

  • Onde está a agenda hoje: caderno, Simples Dental, Google Agenda, papel na mesa?
  • Você marca olhando o quê para saber se tem vaga?
  • Quantos pacientes por dia, em média? E qual o dia mais cheio da semana?
  • Quanto tempo você reserva para uma avaliação e para um retorno?
  • Como você lida com quem falta? Confirma antes? Como?
  • (descobrir: isto é o briefing da grade da agenda. Duração padrão, horários de trabalho, se marca por cadeira ou só pelo Dr.)

o orçamento em papel

  • Me descreve o caminho de um orçamento: quem preenche, em que hora, onde guarda?
  • O que vem escrito nele: procedimento, valor, dente, condição de pagamento?
  • Quando o paciente aceita, o que muda no papel?
  • E quando ele não aceita, o papel vai pra onde?
  • Já aconteceu de sumir ou de não acharem um orçamento?
  • (descobrir: se o campo de tratamento do sistema comporta o que ela escreve hoje, e se falta campo de dente)

o pagamento e o que ela chamou de débito

  • Como você registra quando o paciente paga? Onde fica anotado?
  • Quais formas de pagamento entram: pix, dinheiro, cartão, parcelado na maquininha?
  • Você me disse que o pagamento varia de paciente pra paciente. Me dá dois exemplos reais de como foi combinado?
  • Como você sabe hoje quanto cada um ainda deve?
  • Alguém já pagou e você não lembrou de anotar?
  • (descobrir: se “débito” é a palavra dela, o sistema deve chamar assim, e não “saldo em aberto”)

o prontuário e o retorno

  • Quem escreve o que foi feito no atendimento: você ou o Dr. Bernardo?
  • Isso é escrito na hora ou no fim do dia?
  • Como vocês controlam quem precisa voltar?
  • Alguém avisa o paciente do retorno, ou ele lembra sozinho?
  • (descobrir: se ela digita ou se é o Dr., muda quem precisa de treino na call 2)

a pergunta que revela tudo

Se você pudesse apagar uma tarefa da sua semana, uma coisa chata que toma tempo e que você faz porque não tem jeito, qual seria?

A resposta dessa costuma valer mais que as dez anteriores. Anote literalmente.

bloco 3 (15 a 25 min): mostrar o sistema com dado real

Agora abre a tela. Regra: use um paciente de verdade, que ela conheça pelo nome. Sistema com “Paciente Teste” não convence ninguém.

Sequência sugerida, sem pressa, 10 minutos no total:

  1. Login e painel. Mostre a primeira tela: quanto tem a receber e quem tem retorno nos próximos 30 dias. Frase: “isso aqui é o que você não precisa mais procurar em lugar nenhum”.
  2. Busca. Peça o nome de um paciente que ela atendeu essa semana. Busque na frente dela e abra a ficha. Os 261 pacientes dela já estão lá, e isso precisa ficar evidente.
  3. A ficha. Mostre as abas na ordem que ela usa: dados, tratamentos, prontuário, pagamentos, histórico.
  4. O botão de WhatsApp no telefone do paciente. Detalhe pequeno, economiza minutos por dia.

Não mostre relatório, gráfico nem financeiro completo aqui. Isso é interesse do Dr. Bernardo, não dela, e rouba o tempo do que importa.

bloco 4 (25 a 40 min): ela dirige

Você compartilha a tela ou ela abre no computador dela e você acompanha. O ideal é que ela use o próprio acesso (fernanda@drbernardocoutinho.com.br), não o seu.

Três exercícios, com um paciente real que tenha tratamento em aberto:

exercício 1: lançar um orçamento (5 min)

Peça pra ela pegar um orçamento de papel que esteja aí na mesa e lançar no sistema, do jeito que está escrito. Você fica calado e observa onde ela trava. O ponto onde ela hesita é o ajuste que eu preciso fazer.

exercício 2: registrar um pagamento parcial (5 min)

Peça pra ela registrar um pagamento real, com valor quebrado, do jeito que o paciente pagou. Mostre o saldo mudando sozinho. Esse é o momento “ah, entendi” da call, porque foi exatamente a dor que ela te relatou.

exercício 3: prontuário e retorno (5 min)

Ela registra o que foi feito no último atendimento e marca a data de retorno. Depois volte ao painel e mostre o paciente aparecendo na lista de retornos. Fechar o ciclo na frente dela vale mais que explicar.

Enquanto ela mexe, anote três coisas: onde ela parou, o que ela perguntou e que palavra ela usou para algo que o sistema chama de outro jeito.

bloco 5 (40 a 47 min): o que falta e o que incomoda

Perguntas diretas, uma de cada vez, deixando o silêncio trabalhar:

  • Do que você faz hoje no papel ou no outro sistema, o que não cabe aqui ainda?
  • Tem alguma coisa aqui que ficou mais trabalhosa do que do jeito que você faz hoje?
  • Se você tivesse que usar isso amanhã de manhã, o que te deixaria insegura?
  • Tem algum nome de campo aqui que não é o nome que vocês usam no consultório?

Sobre a agenda, seja transparente e transforme em briefing:

A agenda hoje é uma lista. Eu vou montar a visão de dia e de semana pra você. Me diz: quando você abre a agenda de manhã, o que você precisa ver na primeira olhada?

Anote a resposta com precisão. É a especificação da tela.

bloco 6 (47 a 50 min): combinados

  • Confirme que ela tem o acesso e sabe entrar sozinha (peça pra ela fazer login uma vez na sua frente, se ainda não fez).
  • Combine uma tarefa pequena até a call 2: por exemplo, lançar os orçamentos novos da semana no sistema, além do papel. Duas semanas em paralelo dão segurança.
  • Deixe claro o canal: qualquer dúvida, WhatsApp direto com você.
  • Marque a call 2 na hora, com data e horário, antes de desligar.

o que eu faço depois da call, com o que você trouxer

se ela disser eu aplico
“eu chamo de débito, não de saldo” renomeio os campos para a língua do consultório
como ela quer ver o dia construo a grade de agenda de dia e semana, do jeito descrito
que anota o dente no orçamento incluo campo de dente no tratamento
que precisa saber a forma de pagamento incluo o campo no registro de pagamento
que confirma consulta por WhatsApp na mão entra a confirmação automática, que é o maior ganho de tempo dela
que trava em alguma tela simplifico essa tela antes de qualquer recurso novo

três armadilhas desta call

  1. Falar demais. Se você falar mais que ela nos primeiros 15 minutos, a call perdeu o propósito.
  2. Prometer na hora. Quando ela pedir algo, a resposta é “anotei, vou ver como fazer isso caber”. Nunca “faço até amanhã” no meio da call.
  3. Mostrar o financeiro completo. É a tela do Dr. Bernardo. Com ela, isso pode soar como controle sobre o trabalho dela.

o que levar pronto

  • Sistema aberto e logado, com um paciente real já localizado
  • O acesso dela em mãos, caso ela não tenha recebido ou tenha perdido
  • Bloco para anotar as palavras dela, literalmente
  • A pergunta do minuto 12 marcada, que é a de apagar uma tarefa da semana